Se Discute
porque política se discute
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Caso Orlando Silva: República é o regime do império da Lei, não do império da Imprensa
Já a acusação do policial-corrupto, a quem a VEJA deu voz, contra o Orlando Silva NÃO É COMPROVADA. E, no entanto, quem é que foi punido?
Isso é o ápice da corrupção da República: um inocente (até que se prove o contrário) é fuzilado por um veículo comprovadamente criminoso, sem prova alguma!!!
É por isso que a Inglaterra, mesmo que falida, mesmo que monárquica... é mais republicana que o Brasil. Porque República é o regime do primado da Lei, não do primado da Imprensa.
Ou o Brasil cria, através de regulação, um mercado de Mídia plural, diversificado, competitivo e não-concentrado... com uma forte imprensa pública (estilo a BBC de Londres), tal qual as democracias avançadas; ou as 4 famílias que controlam a Comunicação no país irão acabar com a Democracia, novamente.
domingo, 19 de junho de 2011
quarta-feira, 15 de junho de 2011
O golpe do Estado Novo e a tão falada “queima das bandeiras estaduais”
Na pira, a queima das bandeiras estaduais: o Nacional suplanta o Regional
De um modo autoritário, o Brasil sepulta a política coronelista que coloca os interesses estaduais (especialmente os de SP e MG) acima dos interesses do País; e assim, passa a ser pensado e planejado nacionalmente.
É desta maneira "feia" que o Brasil consegue suplantar os particularismos dos estados e suas elites. Tarefa dificílima – dada à quantidade e divergência de interesses dos atores - só conseguida pela genialidade maquiaveliana de Vargas, que colocou as grupos locais uns contra os outros e manipulou como um mestre o medo dos militares e da classe média, além da exploração da luta entre fascistas e comunistas – tudo isso usado a favor de seu projeto de país, que coincidia com o fortalecimento de seu próprio poder, cada vez mais concentrado.
Depois de Vargas, o Brasil deixa de ser agrário e torna-se urbano-industrial. Além disso, passa a ter uma política e partidos políticos nacionais, e não mais estaduais (lembre-se que antes da Revolução de 30, cada estado tinha seu Partido Republicano, e não havia partidos nacionais, afinal o interesse das elites regionais se sobrepunha aos do País).
Getúlio, goste-se ou não, é o pai do Estado brasileiro modernizado, e criador da Revolução Industrial brasileira também. O melhor e o pior do Brasil, ainda hoje no século XXI, fazem parte da herança bendita-maldita de Vargas.
terça-feira, 14 de junho de 2011
Mecanismos de democracia direta: o Brasil não sobreviveria a um Berlusconi
Imagine, por exemplo, José Serra presidente do Brasil. Com a blindagem/apoio da Imprensa e maioria no Congresso, Serra seria capaz de repetir a 'privataria' com o patrimônio público brasileiro, e não haveria meios institucionais de o povo impedir isso.
Aqui fica clara uma distinção: embora os italianos tenham o vergonhoso Berlusconi chefiando o Executivo, aquele povo tem mecanismos de democracia direta, que lhes salvaguardam o direito de 'palavra final' em questões cruciais do país.
Já o Brasil, que não tem mecanismos de democracia direta de verdade, seria violentado se porventura subisse ao poder um governante 'blindado' pela Mídia e mal-intencionado: esta criaria o clima favorável aos abusos (privataria, leis autoritárias, etc) e o Congresso ratificaria. No Brasil o povo não tem garantias contra os abusos daqueles que são eleitos.
A propósito, uma das questões que o povo italiano teve de decidir foi justamente sobre a privatização ou não das águas do país. O povo vetou a medida aprovada no Parlamento. Aqui, nosso Parlamento deu uma banana ao povo e emplacou de goleada um código florestal que perdoa desmatador.
O Brasil precisa destes mecanismos de democracia direta, para que toda questão relevante (código florestal, reformas, emendas na Constituição, etc) seja decidida pelo povo. E não por Sarneys, ruralistas ou pelos PMDBs da vida.
Talvez quando o velho Maquiavel diz que a liberdade deve se assentar no povo, talvez ele queira dizer que se pode comprar um Palocci, 50 ou 60 deputados, quiçá partidos inteiros... Mas não se compra 190 milhões de cidadãos.
terça-feira, 24 de maio de 2011
A moda agora é ser reaça

A moda do reaça
Marcelo Rubens Paiva
"Como comentou uma leitora, Natália, no post anterior: Cara, acho tão engraçada essa mania das pessoas de falarem com orgulho que são “politicamente incorretas” quando dizem absurdos… o sujeito vem, fala um monte de merda e diz que faz isso porque é inteligente (é um livre pensador, não segue o pensamento burro e dirigido das massas, etc) e porque não liga de ser “politicamente ncorreto” porque afinal esse é o certo, a sociedade de hoje que está deturpada. Eu tinha pensado na mesma coisa. O governador e o secretário municipal de segurança reconheceram que tanto a PM quanto a Guarda Municipa exageraram na repressão à MARCHA DA MACONHA, que virou MARCHA PELA LIBERDADE DE EXPRESSÃO
Alckmin chegou a dizer que não compactua com a ação da PM na Marcha.
Mas muitos leitores e alguns blogueiros continuam achando que o certo mesmo era enfiar o cacete nos manifestantes.
A onda agora é ser bem REAÇA.
Se é humorista, e uma piada ultrapassa o limite do bom gosto, diz ser adepto do ideal do politicamente incorreto.
Que babaca é fazer censura contra intolerância.
Pode zoar com judeu, gay, falar palavrão, é isso, que se foda, viva a liberdade!
Se alguém defende a Marcha da Maconha, faz apologia, é vagabundo.
Se defende a descriminalização do aborto, é contra a vida.
Se aplaude a iniciativa da aprovação da união homossexual quer enviadar o Brasil todo, país que se orgulha de ser bem macho, bem família!
Se defende a punição de torturadores, é porque pactua com terroristas que só queriam implodir o estado de direito e instituir a ditadura do proletariado. Deu, né?
Esta DiogoMainardização da imprensa e da pequena burguesia brasileira tem um nome na minha terra: má educação.
Esta recusa ao pensamento humanista que ressurgiu após a eva de ditaduras que caiu como um dominó a partir dos anos 80 tem outro nome: neofascismo.
É legal ser de direita? Tá bacana desprezar os movimentos sociais, aplaudir a repressão a eles?
Eu não acho.
Apesar de considerar o termo “ politicamente correto”, do começo dos anos 90, a coisa mais fora de moda que existe, diante do que vejo e leio, afirmo: eu, aleijado com tendências esquerdizantes, não era, mas agora sou TOTALMENTE politicamente correto.
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Foi uma semana marcada pelo protesto da gente diferenciada e gafes nas redes sociais, que têm 600 milhões de vigilantes no Facebook e 120 milhões no Twitter.
Postaram Rafinha Bastos, no dia das mães: “Ae órfãos! Dia triste hoje, hein?”.
Danilo Gentili, sobre os “velhos” de Higienópolis que temem uma estação de metrô: “A última vez que eles chegaram perto de um vagão foram parar em Auschwitz.”
Amanda Régis, torcedora do Flamengo, time eliminado da Copa do Brasil pelo Ceará: “Esses nordestinos pardos, bugres, índios acham que têm moral, cambada de feios. Não é à toa que não gosto desse tipo de raça.”
Ed Motta, ao chegar em Curitiba: “O Sul do Brasil como é bom, tem dignidade isso aqui. Sim porque ooo povo feio o brasileiro rs. Em avião dá vontade chorar rs. Mas chega no Sul ou SP gente bonita compondo o ambiance rs.”
Quando um leitor replicou que Motta não era “um arquétipo de beleza”, ele respondeu que estava “num plano superior”. “Eu tenho pena de ignorantes como vc… Brasileiros…”, escreveu. “A cultura que eu vivo é a CULTURA superior. Melhor que a maioria ya know?”
E na MTV, a Casa dos Autistas, quadro humorístico, chocou pelo mau gosto Todos pediram desculpas depois.
Danilo, um dos maiores humoristas de stand-up que já vi, recebeu telefonema do departamento comercial da Band, pedindo para tirar o comentário.
Ed Motta se revoltou contra a imprensa. Pergunta se temos o direito de reproduzir seus escritos particulares.
A internet trouxe a incrível rapidez na troca de informações e espaço para exposição de ideias. Alguns se lambuzam. Dizem que são contra as patrulhas do politicamente correto.
Mas como ficam as domésticas ofendidas, os órfãos recentes, aqueles que perderam parentes em Auschwitz, os nordestinos e os pais de autistas?
Tomara que, depois do pensamento grego, democracia Renascença, a revolução industrial e tecnológica nos luminem.
O preconceito não é apenas sintoma de ignorância, mas lapsos de um narcisista. Ele nunca va acabar?
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Enquanto no Itaú Cultural, um símbolo de excelência em apoio às artes e alta tecnologia, em plena Avenida Paulista uma mãe foi expulsa por amamentar o filho em público na exposição do Leonilson, artista que sofreu inúmeros preconceitos, morto vítima da Aids.
Ou melhor, viadão que morreu da peste gay, porque era promíscuo, diriam os reaças.