terça-feira, 29 de junho de 2010

Entendendo o caso “dossiê”. Dilma dá aula de ética a jornalistas.

Quando Serra e Aécio ainda disputavam a indicação para concorrer à Presidência pelo PSDB, o tucano paulista e sua turma prepararam um dossiê sobre a vida pessoal de Aécio Neves. Em resposta, Aécio e o PSDB mineiro encomendaram ao jornalista Amaury Ribeiro Jr, especialista na investigação de crimes de lavagem de dinheiro, um levantamento não sobre a vida pessoal de Serra, mas sobre o papel do governador paulista nas privatizações durante o governo FHC, ou seja, sobre a vida pública do tucano paulista.

Mais tarde, com a decisão de Aécio de abdicar da disputa e concorrer ao Senado por Minas, o levantamento encomendado a Amaury já não era necessário. Porém, o jornalista mineiro levantou fatos (e crimes, provavelmente) tão relevantes – lembremos que se trata de um dos principais postulantes ao cargo-mor do país - que achou por bem publicar todo esse material em forma de livro, a ser distribuído na internet em breve.

Saber que esse material viria à tona gerou desespero em Serra. E assim a Grande Mídia, sua aliada, passou a fazer contra-informação: dizia que Dilma havia preparado um “dossiê” contra Serra, obviamente dizia isso sem citar o conteúdo do “dossiê”. O objetivo era duplo: prevenir e atenuar o impacto que o livro pudesse ter sobre a candidatura de Serra; e, ao mesmo tempo, manchar a imagem de Dilma imputando a ela um “dossiê”.

Na época, um jornalista responsável se perguntaria: é factível que a campanha de Dilma tenha encomendado um dossiê, sendo que ela vem crescendo continuamente nas pesquisas e até mesmo já ultrapassou Serra em algumas pesquisas? Mas pelo visto, para se trabalhar nas redações da Grande Mídia um dos pré-requisitos é não ter ética, salvo raras exceções.

Nessa tarefa midiática de atribuir o livro (chamado de “dossiê”) a Dilma, ou seja, de fabricar uma realidade, a Veja “deu mídia” a um delegado que disse ter sido procurado por pessoas ligadas ao PT, que supostamente teriam pedido serviços de espionagem. Mais tarde, veio a público que esse delegado era muito próximo a Marcelo Itagiba, braço direito de Serra quando este era ministro da Saúde. Outra versão dos fatos diz que o delegado é quem procurou a campanha de Dilma oferecendo seus serviços de “arapongagem” – e hoje, sabendo dos laços que o ligam a Serra, suspeita-se de que ele tentou, na época, se infiltrar na campanha de Dilma.

Nesse ínterim, Amaury Ribeiro Jr disse que já reunira os documentos e que os entregaria em breve ao Ministério Público. A partir daí o factóide já tinha sido desmontado na internet. De lá pra cá, o tempo passou na janela e só a Velha Mídia não viu, parafraseando Chico Buarque.

Como mostra o vídeo abaixo, os jornalistas dessa velha imprensa continuam se achando detentores dos fatos e das verdades que vem a público, a ponto de insistirem nessa mentira já desmontada, de “dossiê feito por Dilma”, que na verdade é um livro, feito por um jornalista mineiro. Um duplo desrespeito: com Dilma e com a inteligência do público.

Enfim, a carroça andou; mas o Partido da Imprensa ficou parado no mesmo lugar, se achando dono da opinião pública. O resultado foi este nocaute dado por uma serena Dilma Rousseff.

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