Desde que o PiG e o PSDB perceberam que não adiantava dizer que Lula iria destruir a vida dos brasileiros, esses dois partidos políticos passaram a tentar reescrever o passado, na tentativa de controlar o futuro: o resultado das eleições de 2010.
Qual era a idéia? Lula não fez nada. Lula é um analfabeto, que dirige um barco que se guia sozinho, graças às ações do antecessor FHC - este sim merecedor dos méritos. FHC semeou, Lula apenas colheu.
Essa era uma das versões na "batalha pelo passado". Uma outra era a de Lula (e Dilma), a versão do "nunca antes na história desse país". O petista procurou caracterizar o período que precedeu seu governo como um tempo de políticas voltadas para apenas uma parcela dos brasileiros. Não por acaso, o slogan de seu governo era "Brasil, um país de todos".
Também nessa disputa pela interpretação hegemônica do passado, correndo por fora, vinha Marina Silva, falando em "avanços dos últimos 16 anos". Sua estratégia era emplacar uma visão do passado recente que igualasse os governos de PSDB e PT, para mostrar a si própria como algo diferente, o "novo" na política.
Quem emplacasse sua versão sobre o passado recente do país, venceria as eleições. Afinal de contas, se foram, por exemplo, os "semeadores" do PSDB que propiciaram a "colheita" de 2009 ou 2010, não fazia muito sentido continuar com um governo que nada criou, um governo sem méritos (e que ainda tentava eleger uma desconhecida do grande público).
Ocorre que Lula venceu a batalha pelo passado e a maioria das pessoas reconheceu que, dos últimos 50 anos ou talvez em toda a história do país, sua gestão foi a que mais pensou o Brasil como um todo, e para todos. Ela não excluiu os pobres da agenda pública, ao contrário. E também não governou apenas para São Paulo. Uniu Democracia, crescimento econômico, inclusão social e soberania.
Realmente, uma combinação nunca dantes feita no Brasil. Em certo sentido, a eleição de Dilma, que até então uma desconhecida da maioria das pessoas, é também a consagração dessa interpretação do passado recente, a interpretação do "Nunca antes na história desse país".
Sobre a versão dos tucanos como "semeadores" e Lula como alguém que apenas colheu as benesses, cabe perguntar: Como Lula seria bem sucedido adotando as mesmas políticas de FHC, se o próprio FHC não se saíra bem com suas políticas? Neste sentido, o vídeo abaixo desmonta a versão do PSDB e do PiG.
FHC semeou, Lula colheu. Correto? Bill Clinton mostra que não
O passado: A época em que Uganda era um exemplo para o Brasil.
PS: É por ter consciência de que quem controla o passado controla o futuro, que este blog é favorável à abertura dos arquivos da ditadura militar, à punição dos torturadores e à retirada de todos os símbolos e nomes que homenageiem os que colaboraram com o regime do silêncio e do terror. País que almeja um futuro democrático tem de condenar seu passado (e as versões que eufemizam ou distorcem o passado) de autoritarismo.
0 comentários:
Postar um comentário